Desistir dos seus objetivos? Jamais!

Recebo em minhas disciplinas todos os anos  uma nova turma de alunos vindos de diferentes cursos do bacharelado em música na universidade. Estudantes que buscam na graduação uma forma de profissionalização e maior aprofundamento dos seus estudos de performance. Entendo que algumas vezes é bastante difícil adaptar-se ao ritmo de estudos de um curso universitário de música. Para alguns estudantes a dificuldade esta relacionada em conectar prática e pesquisa, para outros em conciliar o estudo do seu instrumento com a formação mais geral. Além disso, novas rotinas precisam ser assimiladas e o curso exige disciplina e dedicação integral.

O bacharelado em música popular propõe a formação de um profissional que entenda a música como parte integrante de uma formação mais ampla, que vise não somente ao estudo da música em si, mas à formação social que as atividades musicais proporcionam. A ênfase é dada à prática de estudos multidisciplinares e à formação de repertório que contemple a música popular e as culturas locais. O objetivo é despertar nos alunos um interesse que vá além da prática musical tradicional.

Nos primeiros semestres é comum ver alguns alunos com maior infrequência. Nesta etapa inicial da graduação as desistências me parecem maiores comparadas aos demais semestres. Mas, porque é importante não desistir?

Nesta semana fui provocado a responder esta questão. Recebi uma longa mensagem de um aluno que estava insatisfeito com seu próprio desempenho dentro do curso e, através da mensagem, pedia minha opinião. Tal insatisfação produzia nele uma postura negativa com relação ao processo de formação proposto no bacharelado em música popular. A sensação de que você não corresponde as suas próprias exigências é algo difícil de enfrentar. As expectativas que você cria para sua própria aprendizagem costumam ser bastante duras e algumas vezes podem te levar a desistir dos estudos.

Minha resposta a ele foi a seguinte:
Mesmo que você tenha muitos motivos para desistir, tente encontrar alguma energia para seguir em frente. Acredito que o desenvolvimento técnico instrumental é um processo bem mais amplo do que costumamos entender inicialmente e envolve variados tipos de conhecimentos. Parte destes conhecimentos não estão diretamente vinculado a técnica ou a questões práticas no seu instrumento.

Estudar seu instrumento é o mínimo, é a base para todo o resto… mas o amadurecimento musical acontece também influenciado pelas leituras que você faz, pelas conversações que estabelece, pelas trocas de ideias que acontecem com outros músicos, nas conversações com seus pares (aqueles bate-papos de corredor são sim muito importantes), pelos desafios que você se coloca (algumas “enrascadas” são bem vindas), principalmente nos erros que você produz durante o processo (errar é muito muito importante e saudável). Existe também aqueles conhecimentos produzidos nas diferentes disciplinas (mesmo aquelas que pensamos serem demasiadamente teóricas)… enfim eu acredito que todas essas questões influenciam na sua formação, no seu som e na sua performance. Elas colaboram de alguma forma para seu aperfeiçoamento.

Nesse sentido, não é produtivo ficar se cobrando desmedidamente. Não é legal buscar diariamente a “perfeição” (quase sempre idealizada). Alguns conhecimentos demoram meses para serem assimilados, outros conhecimentos demandam alguns anos. Sei que tudo isso produz insatisfação, autopunição. Porém é necessário ter paciência consigo mesmo.

O que me parece fundamental é não perder as oportunidades de se expor, mostrar q tens o principal: vontade de melhorar, vontade de seguir aprendendo. Mas, e os julgamentos? E as avaliações que virão? Ok, muitas serão ruins, algumas outras péssimas, mas terão também momentos mais leves.

Minha sugestão é que você não desista. Não abandone seu processo de aprendizagem por mais duro que ele te pareça. Ampliar os limites é importante para o crescimento musical. Aprovações e reprovações fazem parte do jogo. Assim como errar e acertar as notas fazem parte de uma performance. O importante é encarar todas estas coisas de cabeça erguida.

De certa forma, desistir é evitar a exposição, é não acreditar no processo que escolheu trilhar.
Repito. Mesmo que você tenha muitos motivos para desistir, tente seguir em frente.

Abço

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