Ler e escrever música: precisa?

Olá pessoal! Nesta publicação destaco algumas idéias sobre a importância da leitura e da escrita no processo de aprendizagem musical. Frequentemente ouço questionamentos sobre a necessidade ou não de aprender teoria musical no início dos estudos de instrumento ou ainda na educação musical de crianças e jovens.

Teoria e/ou prática musical?

Duas perguntas recorrentes:

  1. Tocar um instrumento não seria o suficiente para ser um bom músico?
  2. Devo iniciar meu aprendizado musical diretamente pela prática ou estudo primeiramente a parte teórica (escrita e leitura)?

Resposta:

Acredito que qualquer musicista que busque uma formação mais ampla precise, mais cedo ou mais tarde, conhecer as formas básicas da escrita e leitura musical. A ordem que isso se apresenta depende muito da sua necessidade em registrar graficamente aquilo que está aprendendo.

A teoria musical deve ser complementar a prática de um instrumento, natural ao estudo musical independente do nível ou da idade do estudante. Por estar ligada ao desenvolvimento musical, o estudante costuma perceber rapidamente as vantagens em dominar a teoria enquanto recurso técnico. Do contrário não invista seu tempo em um conhecimento que não será útil a você.

Partitura musical
Partitura musical

Ler e escrever música não depende do instrumento musical que se toca ou de uma idade específica.  Até mesmo crianças pequenas podem ser estimuladas a registrar suas criações de maneira livre e inventiva. Independente do tipo de música ou instrumento, aprender teoria musical não deve possuir pré-requisitos. 

6 motivos para estudar teoria musical:

  • A leitura e escrita musical são partes do processo de aquisição da linguagem musical. Em um primeiro momento você aprende a fazer música e no momento seguinte, deveria desenvolver a habilidade de registrar o que você faz (processo de codificação da prática musical)… e ainda praticar a leitura musical (decodificar os signos musicais que você ou outra pessoa escreve).
  • Ler e escrever música é fundamental para a profissionalização do músico ou do professor de música e amplia o vocabulário artístico destes profissionais. Além disso você também amplia seu leque técnico e ganha maior autonomia nos estudos musicais. Não necessita de um tradutor das partituras e dos métodos de estudo.
  • Algumas áreas de atuação do instrumentista tomam a leitura e a escrita musical como base para o exercício profissional. Exemplos disso: músicos de orquestra, arranjadores, compositores, músicos de estúdio, editores, entre outros.
  • A leitura musical pode te colocar em contato com outras culturas através dos registros históricos. Essencial para quem pretende trabalhar com pesquisa em música.
  • O instrumentista que sabe ler e escrever música tem condições de otimizar seu tempo de ensaio, prática e gravação.
  • Com a leitura musical você alarga sua capacidade de memória.

É possível ser um grande músico sem saber ler e escrever música?

Claro que sim, existem dezenas de instrumentistas bem sucedidos como exemplo disso. Aprender teoria musical precisa partir de uma necessidade do estudante de música. Se você percebe vantagens em dominar este recurso, ótimo. Do contrário não invista seu tempo em um conhecimento que não será útil a você.

Existe apenas um tipo de escrita musical?

Não, existem tantos tipos de escrita musical quanto a capacidade que temos em criar novos sistemas de escrita. Claro que ao falar sobre escrita musical costumamos pensar primeiramente na escrita tradicional. Mas existem muitos outros tipos de escrita que variam de acordo com a época histórica, com o meio cultural, com o desenvolvimento de determinado instrumento musical, com mudanças nos padrões técnicos, teóricos, etc. São muitas variáveis que ao longo da história da música produziu diferentes maneiras de se registrar a música.

Quanto tempo leva para aprender a ler música?

Essa é uma pergunta difícil de responder de forma precisa. Depois de investir algumas horas diárias de estudo, é uma questão de dias para que você seja capaz de compreender certas formas de escrita e também identificar os sinais que estão na partitura. Porém o aprimoramento disso e a compreensão desse sistema de forma mais profunda depende de um movimento de formação permanente.

Normalmente leva alguns meses para que o estudante adquira uma base inicial mínima. A partir disso, é necessário seguir os estudos num enfrentamento das dificuldades e em busca de amadurecimento dos conhecimentos iniciais. Existem questões ligadas a percepção musical que estão imbricadas na leitura. Por esses motivos prefiro pensar o estudo musical como um processo de formação continua. No curso de bacharelado em música, por exemplo, são mais de 4 semestres de disciplinas teóricas.

Enfim, assim como a prática musical, ler e escrever música requer disciplina e busca permanente de novos conhecimentos.

Um grande abraço!

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