Educ(A)ção – Mudanças no ensino médio

Acho importante ficarmos atentos as propostas de mudança na base curricular do ensino médio geridas pelo Ministério da Educação. Tais modificações podem alterar completamente a disposição das disciplinas e consequentemente o espaço das artes na grade curricular de ensino.

Nova Base Curricular

No mês de abril/2018 o Ministério da Educação (MEC) apresentou a Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio para 2018. O documento vai servir de referência para todas as escolas do Brasil. Mudanças importantes estão previstas. Será que estas mudanças trarão maior qualidade na formação dos nossos alunos? Saiba o que vai mudar:

Principais mudanças:

40% do ensino médio terá uma grade flexível. Os alunos poderão escolher as áreas do conhecimento para aprofundar seu conhecimento. As áreas são: 1) Linguagens e suas tecnologias, 2) Matemática e suas tecnologias, 3) Ciências humanas e sociais aplicadas e 4) Ciências da natureza e suas tecnologias. Elas poderão ser distribuídas ao longo dos 3 anos do ensino médio, de acordo com os critérios de cada rede de ensino.

O aluno também poderá optar pelo ensino técnico profissionalizante nesta carga horária flexível. Atualmente só metade dos alunos que ingressam no ensino médio completam os 3 anos de formação.

Questionamentos

A nova proposta curricular, organizada por áreas, diminuirá a evasão dos alunos? Não consigo entender de que forma isso aconteceria. Por outro lado, como fica a formação dos professores neste novo contexto?

Outra questão fundamental para discutir é: no caso da escola pública assumir este caráter “profissionalizante”,  preocupada com a formação para o mundo do trabalho (em especial para a indústria e o comércio), como ficam aqueles alunos que desejam ter acesso a formação universitária (e precisam passar pelo filtro do ENEM)?

Sob uma perspectiva temos o ensino público que pretende ficar mais atrativo aos jovens. De outra parte começam a surgir escolas particulares que propõem uma “educação de elite”: “NOTÍCIA VEICULADA NO JORNAL FOLHA DE SP: Com mensalidade de até R$ 10 Mil, mercado de colégio de elite avança” – a reportagem diz que neste modelo se ensina “a pensar em soluções para as grandes questões mundiais”. Pôxa! Não é incrível que escolas particulares com mensalidades astronômicas não estejam preocupadas exclusivamente com uma formação “profissionalizante”?!?!

Mais mudanças

Também neste mês o MEC publicou um decreto que amplia os casos em que é autorizada a oferta de aulas a distância para alunos dos anos finais (6º ao 9º ano) do ensino fundamental. Os critérios destas mudanças ainda não foram definidos. Enquanto isso, na escola particular o modelo de ensino é trílingue (SIC) “considerando, além do inglês e português, a ‘fluência digital’ como terceira língua”.

Já podemos dizer que numa escola se aprende a ser patrão e na outra empregado?

Cadê os professores?

A nova Base Curricular será discutida também pelo Conselho Nacional de Educação. Espero que em algum momento exista espaço para que os professores possam opinar e discutir questões objetivas que só a experiência do trabalho é capaz de apontar. Afinal, é na sala de aula que as mudanças ocorrerão de fato. Nada mais justo que convidar para o debate os atores deste sistema.

PS: após escrever o texto encontrei outra reportagem que colabora para pensarmos as novas relações entre MERCADO e EDUCAÇÃO e/ou EDUCAÇÃO PÚBLICA e EDUCAÇÃO PRIVADA: “Kroton compra escola no ES e cria empresa para educação básica”.

Abço

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