Ritmos Brasileiros: Ijexá

História do Ijexá

O Ijexá é um ritmo de origem africana tocado nos terreiros de candomblé da Bahia. Não podemos falar de Ijexá sem falar dos Afoxés. A origem e a postura dos afoxés estão diretamente ligadas aos preceitos do candomblé, inclusive na utilização dos instrumentos (atabaques, agogôs, xequerês etc.). Seus componentes usam trajes de inspiração africana, e cantam músicas geralmente em dialetos africanos.

A palavra Ijexá tem origem no vocábulo Ijèsá, uma subdivisão da etnia iorubá e o nome da cidade nigeriana que é considerada o berço do grupo. Nessa cidade se cultuam sobretudo Oxum e Logun-Edé – e o Ijexá designa o ritmo das danças principais desses orixás. Tocam-se, também, ijexás (ainda que não seja o ritmo predominante) para Exu, Osain, Ogum, Oyá, Obá, Oxalá, Orunmilá. O Ijexá é realizado nos terreiros somente com as mãos, dispensando o uso dos aguidavis (as baquetas de percussão). O ritmo é suave e cadenciado, emoldurando a dança dengosa e sensual de Oxum e Logum. O gã (agogô) acompanha sempre os atabaques, marcando o compasso.

De ritmo praticado nos terreiros da Bahia e do Brasil, o ijexá acabou também chegando ao carnaval, a partir da criação dos afoxés baianos (cortejos carnavalescos de adeptos do candomblé) no final do século XIX. Algumas pessoas e até mesmo alguns livros fazem certa confusão ao citar o afoxé como um ritmo. O afoxé é o cortejo – o ritmo que emoldura o cortejo é o ijexá. A expressão afoxé, inclusive, vem do iorubá àfose (encantação pelo som, pela palavra) . Os cubanos usam a expressão afoché para designar o ato de enfeitiçar alguém com o pó da magia. Ao toque do Ijexá, os antigos afoxés buscavam encantar os concorrentes, desfilando pelas ruas em formato processional. O afoxé Filhos de Gandhi, fundado por ogãns de candomblé na década de 1940, até hoje se apresenta no carnaval ao som do ijexá – e começa sempre o cortejo tocando para Logun-Edé.

Vamos ouvir alguns Ijexás?

Clara Nunes “Ijexá” – LINK

Djavan “Sina” – LINK

O Que Foi Feito Devera (De Vera) – Elis Regina e Milton Nascimento (1978)- LINK

Gerônimo “É D’Oxum” – Versão 1Versão 2

Gilberto Gil – “Palco” LINK

Caetano Veloso “Beleza Pura” – LINK

Instrumentação típica:

Agbê – Também conhecido como xequerê, este instrumento é composto por uma teia de miçangas que envolve uma cabaça. Instrumento que veio dos terreiros, para compor junto com o batuque do maracatu, uma função de condução similar ao do ganzá.

Caixa  – Tambor agudo que possui na pele de resposta uma esteira ou bordão produzindo um som rufado e característico. Possui frases rítmicas com grande quantidade de notas o que dá a este instrumento a possibilidade de coordenar e harmonizar as alfaias. São as caixas de guerra, juntamente com os taróis, que dão a chamada para a entrada dos outros instrumentos.

Gonguê – Instrumento formado por uma campânula de ferro e um cabo que serve de apoio. Tem o formato aproximado de um sino de ponta a cabeça ou um agogô de uma só boca. As frases rítmicas do gonguê são geralmente formadas por contratempos e sincopas com grande liberdade de improviso.

Alfaias – Também chamadas de bombos ou zabumbas. São tambores graves, de grandes dimensões, originalmente feitos do tronco da Macaíba (árvore que se parece com a Palmeira). Seus aros são feitos de Genipapo e o bojo é trançado por uma corda de sisal. Com frases sincopadas e bem marcadas, são responsáveis pelas características principais de cada toque ou baque. Muitas vezes dividem-se em três grupos, pelo seu tamanho ou afinação tendo cada grupo uma função rítmica diferente.

Baixar o áudio para praticar: ACESSE AQUI

Baixar a partitura: ACESSE AQUI

Artigos de referência:  1- aqui e 2- aqui

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