Maestro Mendanha: Ouro Preto-MG e Pelotas-RS

Na semana passada fiz minha oitava mudança de endereço dos últimos 10 anos. Não contabilizei a primeira mudança, em 2002, quando fui de Cachoeirinha-RS para Santa Maria-RS estudar música na UFSM. A média está em uma mudança a cada 15 meses. São vários cabelos brancos a cada troca de endereço e a necessidade urgente em modificar esta estatística.

De lá para cá, já morei nas cidades de S. Maria-RS, Encantado-RS, Lajeado-RS, voltei a S. Maria-RS, depois Ouro Preto-MG, Cachoeira do Campo-MG (que na verdade é um distríto de Ouro Preto-MG) e finalmente minha atual e querida Pelotas-RS.

Mas o melhor vem agora! A rua do condomínio que moro atualmente chama-se “Maestro Mendanha”! Pode isso? Um professor de música com endereço de nome de maestro. Fiquei super orgulhoso com a feliz coincidência. Porém tal casualidade não para por aí. Depois de pesquisar um pouquinho sobre o nome deste Maestro (que me parecia familiar) descobri que o Mendanha é um dos autores da música do Hino-Riograndense. Junto com Antônio Corte Real foi o responsável pela composição cívica mais prestigiada pelos Gaúchos.

Maestro Mendanha

Segundo o jornal Correio do Povo de 2010, o maestro Joaquim José de Mendanha chegou ao Rio Grande do Sul como mestre de uma banda militar e aqui se estabeleceu. Serviu com os legalistas na revolução de 1835 e foi aprisionado pelos republicanos, em 30 de abril de 1838, no célebre combate de Rio Pardo. Naquele mesmo ano, escreveu a música do hino da República Rio-Grandense. A letra original do cântico sofreu algumas adaptações, tendo vingado a de Francisco Pinto da Fontoura. Mendanha fixou residência em Porto Alegre e organizou uma orquestra, que por muitos anos executou músicas sacras, nas igrejas da Capital. O Hino Rio-Grandense, composto por Mendanha e revisado por Antônio Tavares Corte Real, foi oficializado pela lei n 5.213, de 5 de janeiro de 1966.

Tem mais. O maestro Joaquim José de Mendanha nasceu em Itabira do Campo (atualmente município de Itabirito-MG), mas que em 1801 ainda pertencia a Ouro Preto. Faleceu em Porto Alegre, em 2 de setembro de 1885.

Minha relação com a cidade de Pelotas fica ainda mais afetuosa com todas estas memórias acumuladas e personagens históricos como o maestro Mendanha. Apesar da dura empreitada que se enfrenta a cada mudança de endereço, as diferentes paisagens também representaram novas experiências e saberes profissionais. Permanecem conectadas com a música e o fazer musical.

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